Pará tem 21 mil pacientes à espera de cirurgia
06/12/2017 - 5h10 em Notícias

Fila de espera é bem maior que a anunciada pelo governo

Conviver com a espera por atendimento médico é um drama para 21.426 pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) no Pará. Essa é a fila de espera para cirurgias eletivas (não urgente) no Estado, segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM). Destas, 1.260 constam na fila como pendentes há mais de cinco anos.   

De acordo com a pesquisa, quase metade (10.419 ou 48,6% do total) de todos os procedimentos pendentes no Pará estão concentrados em apenas cinco tipos diferentes: retirada de vesícula (colecistectomia), com 3.226 pacientes aguardando; de catarata (facoemulsificacao c/implante de lente intra-ocular dobrável), com 3.021 pessoas; de correção de hérnia abdominal (hernioplastia inguinal / crural unilateral), com 2.320; de hérnia umbilical (hernioplastia umbilical) e de retirada do útero (histerectomia total), com 850.

Considerando o município de residência desses pacientes que aguardam na fila, a maioria é de Marabá (4.997), seguido por Ananindeua (1.850), Belém (1.736), Santarém (1.619), São Domingos do Araguaia (1.347), Parauapebas (1.034), Paragominas (751), Itupiranga (751), Itupiranga (667) e Tucumã (648).   

Em todo o País, o conselho estima uma fila de aproximadamente 904 mil procedimentos. As informações foram repassadas por Secretarias de Saúde de 16 estados e 10 capitais (11 estados e 15 capitais não enviaram os dados). Os dados foram colhidos em junho de 2017 e se referem a hospitais públicos. Não foram divulgadas informações sobre o sistema privado.   

Dentre as 900 mil, o CFM informa ainda que 750 procedimentos constam na fila como pendentes há mais de dez anos. Ainda, segundo a entidade, de cada mil pacientes que aguardam a cirurgia, cinco morrem por ano enquanto esperam - a avaliação não demonstra, no entanto, se a morte ocorreu em decorrência da ausência da cirurgia. A maior fila de espera são para as cirurgias de catarata (113.185), hérnia (95.752), vesícula (90.27) e varizes (77.854).   

A demora na realização de cirurgias pode levar ao agravamento do quadro de saúde do paciente, piorando o prognóstico e aumentando os custos para o próprio sistema. Quem não faz a cirurgia eletiva, diz o presidente em exercício do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, "vai acabar caindo um dia no sistema de urgência e emergência ou operado num quadro muito pior do que no início da doença."   

Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação. Apesar disso, diz o CFM, só enviaram os dados os Estados do Pará, Alagoas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pernambuco, São Paulo e Tocantins. Além destes, foram incorporados os dados da Bahia, que enviou informações de pacientes que ingressaram na fila em 2017 e, do Rio Grande do Norte, onde foi apresentada apenas a fila ortopédica.   

No caso das capitais, os quase 103 mil procedimentos em espera dizem respeito às prefeituras que atenderam ao pedido de acesso: Aracajú, Belo Horizonte, Campo Grande, Fortaleza, João Pessoa, Porto Alegre, Recife e São Paulo. Além destas, Boa Vista e Palmas apresentaram, respectivamente, apenas a lista de cirurgias de uma unidade hospitalar e a lista de cirurgias oftalmológicas.   

Fila é maior que a anunciada pelo governo   

O levantamento revela que a quantidade de pessoas que aguardam cirurgia no sistema público é maior do que o medido pelo Ministério da Saúde. Em julho deste ano, a pasta divulgou a primeira lista única desse tipo de procedimento – antes disso, os números eram registrados só pelos Estados e municípios e nunca haviam sido centralizados.  

Na ocasião, a pasta informou que a fila era de 804 mil solicitações no País. Na última semana, novo balanço apresentado pelo ministério apontou que, após avaliação feita pela ouvidoria, o número caiu para 667 mil pedidos porque havia duplicidade de cadastros na primeira lista.  

"Tanto o número do ministério quanto o levantado pelo CFM são subestimados porque parte dos Estados não respondeu ou não possui os dados organizados. Há ainda aquelas pessoas que precisam da cirurgia, mas nem sequer têm acesso ao especialista que dá o encaminhamento", destaca Britto Ribeiro.   

 

O próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu haver falhas de informação nas listas passadas pelos governos locais à pasta. "Quando os Estados começaram a fazer mutirões, constatamos que a maioria das pessoas que passaram pelas cirurgias não constavam da lista inicial passada pelo Estado. Isso demonstra que nossa fila não era exata", diz ele, referindo-se aos mutirões realizados pelos Estados com verba extra federal repassada após a criação da fila única, em julho.

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