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Professor diz odiar pretos e pobres que falam alto e comem de tudo
13/03/2018 - 0h32 em Notícias

Em postagem racista, José Guilherme de Almeida foi alvo de protesto no Instituto Federal de Educação

 

 

SÃO PAULO: Dias depois de um aluno da FGV ser chamado de escravo por outro estudante da universidade, mais um caso de racismo foi registrado no ambiente acadêmico em São Paulo. O professor e pesquisador do curso de Geografia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), José Guilherme de Almeida, usou uma rede social para um ataque racista:

 

"Horror de turismo. Odeio pretos e pardos falando muito e comendo de tudo por muito tempo, em bandos, nos hotéis três estrelas de orla de praia! Um café da manhã macabro com tanta algazarra e gulodice. Alguém consegue comer carne de sol logo cedo lotando o prato por 3 vezes? Eles conseguem, todos! Queria ser muito rico e ter o café no meu quarto sempre nu e escutando Mozart", diz a postagem, sem identificar o local onde o professor estaria.

 

Almeida, que não foi localizado, faz parte da Diretoria de Humanidades do IFSP, é discente no Ensino Médio e na Licenciatura em Geografia. Após a repercussão, o professor se manifestou por rede social: “Há também em mim reminiscências de atitudes que por vezes podem soar racismo. Eu sou um homem democrático, um cidadão idôneo e nunca em minhas manifestações pretendo parecer nem de longe preconceituoso, mesmo porque, dada minha orientação e minha situação como trabalhador, seria contraditório eu assumir posturas contra outros grupos oprimidos"

 

Alunos se manifestaram nesta segunda-feira após a postagem preconceituosa, com cerca deles pedindo a exoneração do professor e também políticas que coloquem em pauta a questão do racismo na universidade.

 

O Centro Acadêmico Estrabão, entidade representativa dos discentes do curso de Geografia, publicou uma declaração de repúdio nas redes sociais: “Não podemos e não vamos tolerar nenhum tipo de preconceito desse gênero no curso e dentro do IFSP. É inconcebível que tenhamos em nosso corpo docente alguém com essa mentalidade”. O texto foi encaminhado à direção do campus, com destaque de que há um longo histórico de reclamações por parte dos discentes sobre o mesmo professor por seus posicionamentos.

 

Um dos criadores do coletivo negro Quilombo Cabeça de Nego, o aluno Thiago Sousa Silva, de 23 anos, está no 4º semestre do curso de Geografia do IFSP e afirma que já cursou duas matérias com o professor. Segundo ele, não é a primeira vez que os estudantes reclamam da postura do docente em sala de aula.

 

No Dia Internacional da Mulher, José Guilherme havia divulgado também em suas redes sociais que considerava o movimento feminista "muito doente".

 

– Sentia incômodo pelos comentários feitos em sala de aula. Desde que eu entrei no campus, nada aconteceu com ele. O IFSP oferece as cotas e usa isso como uma forma de argumentação de discurso pró-racial, mas o direito do negro não é garantido. Racismo é crime, e ele precisa ser punido por isso – afirma.

 

A faculdade afirmou, em nota, que o IFSP “repudia quaisquer formas de preconceito e discriminação dentro ou fora de seus muros”. A instituição, que afirma se comprometer com a construção de uma sociedade plural e de múltipla representatividade, informou que já começou “a apuração dos acontecimentos, reconhecendo a gravidade dos fatos”.

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