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Estado ignora concursados e contrata temporários
15/04/2018 - 9h28 em Notícias

Enquanto o Governo do Estado lança uma enxurrada de processos seletivos para cargos temporários em diversos órgãos, pelo menos 1,3 mil concursados amargam a longa espera da nomeação. Nos últimos meses, tem sido mais frequente o uso deste expediente pelo Governo Jatene, e agora com número assustadores de vagas. Só a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) anunciou no mês passado a abertura de mais de 1 mil vagas temporárias. Concursos, por enquanto, viraram exceção no Estado, que lança mão com frequência dos Processos Seletivos Simplificados (PSS).

Para quem corre pelas beiradas para não deixar os boletos, o sentimento é de desrespeito e falta de compromisso por parte do Governo do Estado, que promoveu e homologou as seleções. Segundo a Associação dos Concursados do Pará (Asconpa), o Executivo banca atualmente cerca de 13 mil temporários.

Marcondes Picanço, administrador pós-graduado, aprovado no C-153, de 2010, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), espera até hoje ser chamado para exercer o cargo. Hoje o certame tem status sub-judice por não ter convocado os aprovados. “É uma prática do Governo não chamar. E o pior é que, na semana passada, o Diário Oficial do Estado publicou uma contratação temporária para o meu cargo, o que significa que há necessidade de pessoal”, analisa.

Ele hoje trabalha na iniciativa privada para bancar as contas, mas reconhece que ganharia três vezes mais do que ganha atualmente se já tivesse sido nomeado. “Tenho uma noiva, queremos casar. Quero continuar estudando. Mas não tem como, com essa remuneração atual. São oito anos esperando”, denuncia.

SEM COMPROMISSO

Aprovada para uma das 502 vagas disponibilizadas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para professores na Educação Especial no C-167, Yoleth Chagas está abrindo um negócio próprio de venda de doces porque cansou de esperar. Duas decisões judiciais favoráveis às nomeações não foram suficientes - o Estado continua recorrendo pra não cumprir a obrigação. “A Lei das Diretrizes Básicas permite que o professor da educação comum lide com a educação especial. Mas um concurso para essas vagas foi realizado. A partir disso, é desvio de função”, contesta.

Para ela, a atitude do Estado é falta de compromisso e responsabilidade principalmente com a qualidade da Educação. “Ganharia mais de R$ 3 mil se estivesse nomeada. Mas estou abrindo um negócio próprio, porque as contas não esperam”, lamenta.

A reportagem buscou um posicionamento da Secretaria de Estado de Administração (Sead), mas não houve qualquer retorno.

(Carol Menezes/Diário do Pará)

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