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Bombeiro paraense e sua cadela trabalham no resgate de sobreviventes
09/02/2019 06:19 em Notícias

"Cenário triste e indescritível", avalia Vinicius Veloso, natural de Tucuruí, sobre a tragédia no rompimento da barragem

 

As imagens do Corpo de Bombeiros Militar atuando no resgate dos sobreviventes e dos corpos das vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro, circulam pelo mundo e viralizam nas redes sociais.Dentre as que mais chamam a atenção, destacam-se aquelas onde os bombeiros trabalham ao lado de cães.

 

Uma dessas imagens é do cabo Vinicius Veloso oferecendo água para Vênus, uma labradora de 6 anos de idade, logo após uma jornada de horas de buscas. A imagem ilustrou sites de notícias e capas de jornais no Brasil e no mundo. 

De Tucuruí para o Brasil

Vinicius Veloso nasceu e morou em Tucuruí, no sudeste paraense, até os oito anos de idade. Atualmente, trabalha no 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, em Goiânia. O bombeiro mora com a mãe e as irmãs há mais de 20 anos no Estado.Antes de se mudar para Goiás, Vinicius também no Estado da Paraíba. "Depois voltei ao Pará, dessa vez para morar em Paragominas, onde fiquei por três anos. Continuei no Pará por mais dois anos, em Belém, no bairro da Terra Firme, na casa do meu tio. Em 1996, decidi morar em Goiás com minha mãe porque estava em busca de oportunidades melhores", lembra.

Vênus e Vinicius Veloso descansando após as buscas em Brumadinho (MG)Vênus descansa nos ombros do cabo Veloso, após horas de buscas em Brumadinho (MG) (Arquivo pessoal)Vinicius conta ainda que naquela época sempre viajava para Cametá, onde sua avó e a maioria dos tios moram até hoje."Essa é a cidade que considero como minha cidade de coração, praia da aldeia. Onde nunca esqueço minhas raízes e o açaí com mapará. Inclusive eu ia passar as férias em Cametá em fevereiro, mas precisei cancelar pela ocorrência de Brumadinho", afirma o bombeiro.

Rotina de trabalho em Brumadinho

"A gente via no olhar dos familiares diante da perda que eles estavam vivenciando, que depositavam toda a esperança na gente. Eles esperavam da gente uma resposta, um conforto. Onde trabalhamos para tentar recuperar vidas era um cenário muito triste", lembra Vinicius, emocionado.Ouça o depoimento emocionante do cabo Veloso sobre o trabalho realizado no local da tragédia:Vinícius integra a equipe especializada em Buscas Resgate e Salvamento com Cães e Operações de Salvamentos em Desastres do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás.Ao lado de Vênus, a equipe do bombeiro ajudou a encontrar pessoas desaparecidas após o rompimento da barragem.

Cabo Veloso e a cadela Vênus trabalham juntos há dois anos e ele é responsável por outros dois cachorros."Vênus encontrou dois corpos e vários segmentos de corpos. Ela também deixou vários pontos marcados para que os operadores das escavadeiras pudessem ter acesso. Há um ponto que ela marcou em que foram recuperados dois desaparecidos", conta Vinicius.Confira como é o trabalho da dupla na região atingida pela lama:Cabo Veloso explica que em desastres como o ocorrido em Brumadinho, as equipes trabalham em média sete dias e depois são substituídas.

"Nossa equipe de Goiás ficou 10 dias por lá", explica. "Chegamos no dia posterior a tragédia e voltamos para descansar com os cães. Nossa jornada de trabalho iniciava às 5 horas da manhã e seguia até às 6 horas da tarde, mas até terminar de desmobilizar, processo de desinfecção e arrumar todo o equipamento, parávamos em torno de 1 hora da manhã (do dia seguinte)."

Equipe de Vinícius atuava nas buscas em Brumadinho (MG) das 5 horas da manhã até as 1 hora da manhã do dia seguinteEquipe de Vinícius atuou nas buscas em Brumadinho (MG) por 10 dias consecutivos e agora estão de sobreaviso (Arquivo pessoal)O bombeiro afirma ainda que o serviço de cães naquele cenário é fundamental e necessário."Como no Brasil são poucos Estados que oferecem esse serviço, é muito provável que voltaremos. A estimativa de serviço lá é de, mais ou menos, três meses até que todos os corpos sejam recuperados", explica o cabo.

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